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A cada dia que passa Maria Luiza, está mais parecida comigo.
Minhas manias, meus trejeitos, minhas variações de humor e minha cara.

Justo ela que quando bebê minha sogra se orgulhava em mostra – lá ao lado da foto do pai bebê para que todos vissem como eram parecidos, agora está tão parecida comigo que assim que alguém a vê, já solta : “Ela está a cara da mãe”

Tudo bem confesso que me divirto com isso (principalmente pela minha sogra), compro para a Malu roupas e chinelos iguais aos meus, faço o mesmo penteado… É quase como voltar a brincar de boneca.

Mas, quando vi a Malu dando bronca no irmão EXATAMENTE do jeito que eu faço, tomei um susto.
A mão na cintura e o dedo apontado, o pé mais a frente e o virar de olhos para cima no final, segundo digníssimo que partilhou a cena comigo, estavam iguaiszinhos.

Refletindo um pouco, lembrei de outras coisas que ela faz como, calçar os meus (e somente os meus) sapatos, se sentar com sua cadeirinha bem em frente a minha e colocar os pés de molho junto com os meus, pedir para passar a mesma maquiagem ou pintar as unhas iguais as minhas… e por ai vai.

E minha primeira reação foi ficar sem reação.
Ter um serzinho de 2 anos e 6 meses que repete tudo que eu faço e me usa como referência com relação a comportamento, gosto para a moda e tudo mais, me deixou preocupada.
Passei a evitar falar palavrões, sempre peço “por favor” e agradeço com um “obrigado”, lavo sempre as mãos, escovo os dentes depois das refeições e bebo água com freqüência. Mas será que dar bons exemplos já é o suficiente?

Minha maior preocupação é não projetar meus sonhos, fantasia e desejos na minha filha.

Eu sei que de um modo geral, a tarefa da mãe é ajudar a filha a se desprender e ir em busca de suas próprias realizações. Mas eu sou humana.
Que jogue a primeira pedra quem nunca vislumbrou que a filha(o) tivesse a profissão que não conseguiu ter.
Minha mãe mesmo cansou de falar que eu seria médica. Coitada, que decepção! Acabei virando radialista.

Sei que não é por mal, e muitas vezes também não é prejudicial. Mas é um desafio ser TÃO resolvida quanto aos meus desejos e emoções a ponto de não projetá-los nos meus filhos.

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Estou fazendo um curso no período da tarde.

Entrei dois dias após o início da turma e sem conhecer a região pedi informação na hora do intervalo a uma menina ao meu lado sobre onde fazer um lanche.

Ela só me respondeu que não sabia.
Não chegou a ser grossa.
Mas passou longe de ser simpática.

E essa falta de simpatia aliada à beleza dela [alta, cabelo liso natural e nariz pequeno. Tudo o que eu queria ser] me fez automaticamente rótula-lá: grossa.

E a partir de então, como faço com tudo que sei que corro o risco de arrumar treta, mantive distância.

Por um desses acasos sem acaso nenhum que acontece na vida,  para uma das atividades em sala, sobrei para formar dupla justamente com ela.

Conversa vai e conversa vem… O sentimento de antipatia foi indo embora…
Descubro que temos gostos em comum, que nos duas somos mães babonas, que temos sentimentos parecidos com relação a religião, temos idades próximas, trabalhamos … e que ela, a pouco mais de 30 dias havia perdido o pai da filha dela. Assassinado.

Eu achando que a menina era metida e mal-educada e ela simplesmente andava concentrada e contida em seus pensamentos.

Aprendi na prática, porque nunca julgar sem conhecer direito.

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