E
stou fazendo um curso no período da tarde.
Entrei dois dias após o início da turma e sem conhecer a região pedi informação na hora do intervalo a uma menina ao meu lado sobre onde fazer um lanche.
Ela só me respondeu que não sabia.
Não chegou a ser grossa.
Mas passou longe de ser simpática.
E essa falta de simpatia aliada à beleza dela [alta, cabelo liso natural e nariz pequeno. Tudo o que eu queria ser] me fez automaticamente rótula-lá: grossa.
E a partir de então, como faço com tudo que sei que corro o risco de arrumar treta, mantive distância.
Por um desses acasos sem acaso nenhum que acontece na vida, para uma das atividades em sala, sobrei para formar dupla justamente com ela.
Conversa vai e conversa vem… O sentimento de antipatia foi indo embora…
Descubro que temos gostos em comum, que nos duas somos mães babonas, que temos sentimentos parecidos com relação a religião, temos idades próximas, trabalhamos … e que ela, a pouco mais de 30 dias havia perdido o pai da filha dela. Assassinado.
Eu achando que a menina era metida e mal-educada e ela simplesmente andava concentrada e contida em seus pensamentos.
Aprendi na prática, porque nunca julgar sem conhecer direito.





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