Tag-Archive for » opinião «

Esse texto foi de um comentário que fiz no Blog Mamíferas nesse post, sobre uma cesárea ficitícia, não muito boa.

Resolvi colocá-lo aqui pra deixar gravado a minha opinião a respeito do parto por cesárea e acrescentar que sei que a cesáreana se popularizou porque os médicos ganham MUITO mais $$ dos planos de saúde para uma cesáreana do que por um parto normal, sem levar em consideração o tempo que eles perdem: Uma cesárea é feita em 20 minutos e um parto normal pode demorar horas. Mas sou taurina, gosto do segurança e uma cesárea é uma cirurgia controlada. Tem riscos? Claro que tem! Mas no MEU julgamento é mais seguro.

 Sobre ser uma violência contra o bebê e o próprio corpo, eu acho que “violência” é a falta de escolha.

É o que acontece em hospital público,  com mulheres que passam por maus tratos , ouvindo gracinhas do tipo “Na hora de fazer foi bom, né?”, que dão a luz em ambulância por falta de vagas em hospital ou que não fazem o pré-natal adequado.

Acho que nós mulheres lutamos muito pra ter nossas opiniões respeitadas, nossos direitos respeitados e devemos levar essas conquistas para todos os planos inclusive em relação a filhos e família. Se podemos escolher Quando (se jovem ou madura), Onde (hospital ou em casa/ cama ou banheira) e com quem (pai natural ou emprestado inseminação), porque não escolher COMO.

Bom, não sou dona da verdade. Muito pelo contrário, costumo ter opiniões polêmicas em relação a quase tudo. E o mais legal da internet é você poder se expressar, conhecer opiniões diferentes da sua e ainda argumentar a respeito. 

Ta aí o texto da discórdia:

“Puts! Vou fazer um comentário aqui, que tenho certeza que vou ser crucificada: Sou totalmente a favor da cesárea.
Fiz duas, então acho que sei do que estou falando.
A 1ª foi de emergência, as 34 semanas de gestação por causa da queda de liquido amniótico, então não tive opção. Mas a 2ª (1 ano e 4 meses depois) foi por opção SIM.
Eu tenho 1,58m e estava carregando um bebê de quase 4 quilos, um bebê super saudável, mas eu já não dormia, não agüentava ficar mais de 20 minutos na mesma posição, meus pés doíam, meu estomago doía, minha coluna então não vou nem comentar. Não agüentava mais. Liguei para o meu médico, estava com 38,5 semanas e agendei a cesárea. Cheguei no horário marcado, fui bem atendida, fui ao meu quarto, já havia feito as depilações e retiradas (esmaltes, brincos, pulseiras, etc.) necessárias, guardei minhas coisas, dei as orientações ao pai e as avós corujas sobre o que eu e o bebê vestiríamos após, assisti um pouco de televisão…Perto do horário, coloquei a camisola horrorosa (isso é verdade!) do bumbum de fora desci, para a sala de espera do centro cirúrgico (sim, o centro cirúrgico tem uma sala de espera!rsrs) em 20 minutos estava na maca e com o meu bebê no colo.
Veja bem, quero deixar bem claro que NÃO ESTOU FAZENDO APOLOGIA A CESÁREA! É uma cirurgia complicada, de recuperação lenta e doloridíssima, mas sou totalmente a favor do direito de escolha da mulher.
E antes do mimimi de “você não pensa no bebê”, “não era hora dele nascer ainda” e blá,blá,blá eu respondo com 2 casos super próximos de mim de pessoas que forçaram o parto natural e hoje tem filhos com problemas em decorrência do parto (uma por falta de oxigênio pro bebê, porque ela não tinha abertura suficiente e não queria cesárea de jeito nenhum e outra que quase morreu de pressão alta, porque queria “sentir a dor REAL de ter um filho” e quando se decidiu pela cesárea já era tarde).
{Só quero lembrar que você não precisa sentir dor, o medico pode, a critério dele, aplicar a anestesia (peridural se não me engano) e você pode ter o parto natural}
Mas, repito: SOU A FAVOR DO PODER DE ESCOLHA DA MULHER, Acho que CADA UM SABE ONDE SEU CALO APERTA E a ciência e a medicina evoluíram, entre outras coisas, pra isso. Para você ter o direito de escolher o que você julga melhor.”

 

Category: Diário  Tags:  Leave a Comment

Bom, eu não tenho empregada.

Não cheguei a esse nível de organização doméstica-familiar, ainda.

Mas tenho um braço direito, a tia Rosa.Coração de Barro

A tia Rosa é uma das minhas 4.597 tias. Meus avós (os 4) não tinham televisão, e tenho pelas minhas contas, 9 tiAs, somadas por parte de pai e de mãe. Sabe Deus e minhas avós qtos tiOs.

Bom, a tia Rosa é a tia que ficou pra titia. Não casou, não teve filhos e não tem uma profissão. Morou a vida inteira com os pais e sempre ajudou as irmãs com os sobrinhos. Lembro que eu adorava qdo ela vinha pra minha casa (ou casa da minha mãe, ainda é confuso isso na minha cabeça).

Depois da morte dos meus avós, de quem ela cuidou até o fim da vida, ela saiu da cidade dela e veio pra São Paulo, pra ficar mais próxima da família.

Em março do ano passado ela largou o emprego que conseguiu aqui em São Paulo graças a um AVC.

Eu estava grávida de 7 meses do Samuel e apesar dos protestos das pessoas mais próximas, fui visitá-la no hospital onde ficou internada.

 A cena dela sentada na maca, toda assanhada, faminta, tentando com muita dificuldade colocar com o braço esquerdo (já que tinha perdido parte dos movimentos do lado direito), um pouco de comida na boca, não saiu da minha cabeça até hoje. Foi tão forte quanto ver a Malu num bercinho de UTI com os bracinhos e pezinhos todos cheios de furos e fios 6 horas depois de dar a luz. 

 De lá pra cá, ela tem se dedicado integralmente a sua recuperação e a ajudar a família, afinal com tantos sobrinhos (tenho primo saindo pelo ladrão), SEMPRE, tem alguma coisa pra fazer. E eu sozinha, com dois pequenos, do outro lado da cidade sou a mais necessitada de seus préstimos.

Lógico que o AVC deixou consequências. Os movimentos do lado direito foram quase totalmente recuperados. Mas do ponto de vista psicológico as conseqüências foram maiores. Pelas minhas contas, ela ficou com a idade mental de uma criança de 10 anos, é teimosa, inconseqüente e imatura. E principalmente precisa de cuidado e carinho, igualzinho a uma criança mesmo.

 E isso traz a tona uma máxima que ouvi uma vez:

“Nós cuidamos dos jovens, pra eles cuidarem de nós quando estivermos velhos.”

Será que é isso mesmo? Do barro viemos, pro barro voltaremos?

Category: Diário  Tags: ,  Leave a Comment